quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A CRISE NO SAMU GERA INDIGNAÇÃO: "SÃO VIDAS HUMANAS , ESTÚPIDO !"


Por Vera Medeiros
Jornalista

A triste constatação de que o sistema de saúde público de Petrolina – agora, tendo como pivô o SAMU: Serviço Móvel de Atendimento de Urgência- continua sendo tratado como um medidor de forças políticas assevera, na mais fria das criaturas, o impulso da crítica explícita, da necessidade de chamar os atores do poder a saírem do estado de esquizofrenia e deterem-se à razão. 


É preciso que os esquizofrênicos, que veem inimigos por toda parte, parem de debater-se sobre a própria ânsia de poder e percebam que a questão trata de vidas humanas, de pessoas simples, humildes, na maioria das vezes, as quais não têm condições de dar atendimento a um ente querido que está na fronteira com a morte.

E é exatamente uma equipe bem estruturada do SAMU que já salvou e pode continuar salvando centenas de vidas que se encontram em situações assim.

Pessoas que depositaram sua fé como eleitor em homens que esconderam sob a fumaça da obscuridade as supostas verdades que agora, também, supostamente, os impedem de agir.



Nesse jogo de empurra, em que “O inferno são sempre os outros”, as catacumbas sulfurosas sempre estão apontadas como destino de miseráveis, que , em época eleitoral, homens de pouco escrúpulo e muito populismo idiotizante chamam de ‘eleitores’.

Por que falar de antieconomia na saúde de emergência como o SAMU para justificar demissões e desmontes, quando se gastam R$ 9 milhões em uma festa eleitoreira de 15 dias?

Por que achar que o retorno de uma UTI móvel não pode fazer diferença para centenas de vidas num prazo seja de 30 dias, seja de meses, quando o slogan eleitoreiro sempre foi ‘cuidar das pessoas’?

Por que é prejuízo disponibilizar à população de quase 300 mil habitantes 14 médicos, 14 enfermeiro, quando, em média, 6 mil funcionários foram mantidos em empregos de favores e ajeitadinhos em prefeitura, inchando a máquina pública, apenas para manter apoios políticos de mais algumas centenas de miseráveis e seus donos?

O que justifica a falta de uma sede decente ao SAMU, a degradação total do sistema, com sucateamento das ambulâncias, ante as dezenas de imóveis do município vendidos sob o discurso de ‘aplicar o dinheiro na melhoria da qualidade de vida das pessoas’?

Há exatamente um ano, em 30 de novembro de 2011, quando a técnica do Ministério da Saúde, Valmira Costa, esteve em Petrolina, avaliando a instalação do SAMU, o funcionamento do sistema, a imprensa recebeu enxurrada de release dizendo que “O Ministério ficou bastante interessado no modo como Petrolina estava encaminhando o serviço do SAMU e parabenizou a gestão pelo trabalho que vem sendo realizado, especialmente, no que diz respeito à implantação do projeto "Samuzinho”.

Como se explica uma tão rápida e desastrada mudança de cenário no SAMU, em tão pouco tempo? Era tudo encenação? Jogo de marketing- estratégia que já se tornou especialidade?

Por que o tão elogiado Samuzinho foi extinto? 

Já ocorreu à secretária de Saúde do município, ao gestor público e a quem mais se fizer responsável pela saúde de Petrolina que sejam eles incompetentes para exercer a função que ocupam nesse sentido?

De acordo com o tal release da Secretaria de Saúde de Petrolina, na época da visita da técnica do Ministério, o intento era “fazer de Petrolina a quarta Central Regional do Estado no Serviço do SAMU”.

Onde foi parar o intento? Nas firulas políticas que parecem valer mais que a vida do cidadão petrolinense?!

E caso alguém deseje responder aos questionamentos aqui expressos e , antes de fazê-lo, pergunte-se o porquê de tamanha indignação, a resposta já está aqui explícita: “São vidas humanas, estúpido!”.

Por Vera Lúcia Medeiros, jornalista

*o título é uma alusão parodiada do slogan de campanha de 1992 do ex-Presidente Bill Clinton, criado por seu estrategista James Carville.

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